UFMG anuncia fim do ensino integral no Centro Pedagógico em 2027; pais questionam decisão

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
Centro Pedagógico da UFMG Google Streetview/ Reprodução O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da UFMG decidiu encerrar o regime de tempo integral do Centro Pedagógico (CP), após 15 anos. A decisão prevê o retorno das atividades para o regime de tempo parcial a partir de 2027 e estabeleceu a criação de uma comissão de transição. Em nota, a UFMG informou que a decisão resulta de um processo de avaliação conduzido desde 2024 por comissões institucionais e pela Câmara de Graduação, que "identificaram limites de ordem acadêmico-pedagógicas, estrutural e orçamentária no atual modelo"(veja nota na íntegra ao final). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp "A UFMG reconhece a legitimidade das preocupações da comunidade escolar e reafirma que a decisão resulta de amplo e qualificado processo de discussão, conduzido com responsabilidade institucional e orientado pelo compromisso com o interesse público", diz nota. Vídeos em alta no g1 Para as famílias dos alunos, a decisão, tomada em reunião na última quinta-feira (23), tem impacto que vai muito além da reestruturação da matriz curricular e a principal queixa está na forma como o processo foi conduzido pelas instâncias da universidade. O Centro Pedagógico atende 405 alunos do Ensino Fundamental, incluindo cerca de 50 estudantes com deficiência, entre eles 20 com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A escola adota o sorteio como forma de ingresso. Famílias reclamam de falta de transparência Raquel Quelasso é pesquisadora e mãe de uma aluna matriculada há quatro anos na escola. Segundo ela, na visão dos pais, o modelo de tempo integral contribui para a organização da rotina de trabalho da família, e a mudança deverá afetá-los diretamente. "Soubemos no meio do ano passado, por um boato, que estava sendo discutida a possibilidade do CP deixar de ser tempo integral", relembra Raquel. "Tivemos que 'escavar' informações, que vinham a conta-gotas através dos pedidos dos pais dos alunos." Raquel relata que, quando o projeto chegou às instâncias superiores, o discurso oficial nas poucas reuniões do Conselho Comunitário era o de que a universidade estava apenas "estudando" a mudança. "Diziam que nada estava decidido e que não podiam passar documentos pois a questão ainda era incipiente. No entanto, percebemos que o objetivo era alijar as famílias e tratar o tema como uma questão meramente administrativa da unidade, evitando lidar com os pontos que estamos levantando." Segundo a pesquisadora, o fim do regime também prejudica a formação prática de estudantes de licenciatura, que utilizam o Centro Pedagógico como campo de estágio e aprendizagem. "O CP é para a Licenciatura o que o Hospital Universitário é para os estudantes de saúde. É onde eles aprendem na vivência prática", explica Raquel. LEIA TAMBÉM Vicente de Oliveira Silva é eleito presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais Estudo mostra impactos para alunos com o fim do regime Estudantes universitários se juntaram à mobilização dos pais para tentar barrar a medida e criaram o Coletivo Famílias pelo Tempo Integral CP UFMG. Na primeira reunião deste ano, o grupo apresentou, em parceria com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), um parecer que foi apreciado no encontro da última quinta-feira. O g1 teve acesso ao documento que mostra o diagnóstico socioeconômico realizado pelo Coletivo de Famílias. Segundo a pesquisa, 34% das famílias do CP estão em vulnerabilidade social e dependem criticamente do ensino gratuito em tempo integral para conseguirem trabalhar. Para famílias de crianças com deficiência (PCD), o risco de inviabilidade logística e de subsistência financeira chega a ser 5,4 vezes maior. O relatório aponta, ainda, que o ônus da redução do horário recairá de forma desproporcional sobre as mulheres — em 51,4% dos casos, a mãe é quem relata que terá a trajetória profissional sacrificada. O formato atual do centro é importante para a dinâmica familiar e financeira. Hoje, a jornada do centro funciona das 7h30 às 14h30 e inclui três refeições diárias com acompanhamento nutricional. "Não existe um projeto pedagógico para a escola em tempo parcial. Se fosse um processo fundamentado, que precisasse de uma apreciação técnica real, ele não passaria", aponta Raquel. "Ainda cabe recurso da decisão no Conselho Universitário, mas avaliamos que será difícil vencer, pois é uma decisão mais política", completa. O que diz a UFMG A UFMG argumenta que o modelo de horário integral foi implantado em 2011 como um “projeto piloto”, sem aprovação do Conselho Universitário. Em nota oficial, a universidade afirmou que a decisão de encerrar o modelo resulta de um processo de avaliação que identificou “limites de ordem acadêmico-pedagógica, estrutural e orçamentária no modelo vigente”. A instituição também declarou que a medida foi orientada por um “amplo e qualificado processo de discussão” e que o novo projeto pedagógico buscará a promoção da equidade e a garantia de condições de aprendizagem. Leia abaixo a nota da UFMG na íntegra: A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) esclarece que, em reunião realizada em 23 de abril, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) manifestou-se favoravelmente à interrupção do regime de funcionamento em tempo integral, com retorno ao regime de tempo parcial, organizado em turnos distintos (matutino e vespertino), no seu Centro Pedagógico (CP). Essa decisão resulta de processo de avaliação conduzido desde 2024 por comissões institucionais e pela Câmara de Graduação, que identificaram limites de ordem acadêmico-pedagógica, estrutural e orçamentária no modelo vigente. Como parte dos encaminhamentos aprovados pelo CEPE, o CP deverá dar continuidade à elaboração do novo projeto político-pedagógico, que deve passar a vigorar a partir de 2027, contemplando tanto o ingresso de novos estudantes quanto a permanência dos estudantes matriculados, de modo a assegurar a continuidade de suas trajetórias escolares com qualidade, responsabilidade e acompanhamento institucional, em regime de tempo parcial. O CEPE também aprovou a instituição de uma comissão responsável pelo acompanhamento da elaboração e implantação do novo projeto. A UFMG reconhece a legitimidade das preocupações da comunidade escolar e reafirma que a decisão resulta de amplo e qualificado processo de discussão, conduzido com responsabilidade institucional e orientado pelo compromisso com o interesse público. A decisão busca enfrentar limites concretos do modelo vigente e avançar na construção de uma proposta pedagógica mais consistente, alinhada aos princípios da educação integral, à promoção da equidade e à garantia de condições efetivas de aprendizagem para todos os estudantes. A Universidade reitera que manterá o diálogo com representantes de estudantes, famílias e servidores, sem abdicar da responsabilidade de conduzir um processo que priorize a qualidade da educação integral — não reduzida ao tempo —, a inclusão e a justiça social. A construção do novo projeto pedagógico será realizada com transparência e participação, de acordo com a tradição da Universidade, tendo como eixo central a qualificação da formação oferecida pelo Centro Pedagógico e o fortalecimento de seu papel como espaço público de referência em educação básica e formação docente. Veja os vídeos mais assistidos do g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/04/28/ufmg-anuncia-fim-do-ensino-integral-no-centro-pedagogico-em-2027-pais-questionam-decisao.ghtml


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