Minas Gerais deve registrar 93 mil novos casos de câncer por ano até 2028, estima Inca
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Com terapias modernas, câncer caminha para se tornar doença crônica controlável
Minas Gerais deve ter 93.380 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) nesta quarta-feira (4). Só Belo Horizonte corresponde a quase 13,5% (12.560) dos eventuais registros da doença no estado.
O retrato traçado pelo Inca mostra que o câncer já se consolidou como um dos maiores desafios de saúde pública. Segundo o instituto, é possível que ele se torne a principal causa de morte no Brasil no futuro, superando doenças historicamente mais comuns, como problemas cardíacos.
O envelhecimento da população, a exposição a fatores de risco e o diagnóstico tardio estão entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento contínuo dos casos e da mortalidade por câncer. Até 2028, o Inca estima que o país registre 781 mil novos casos da doença anualmente (leia mais abaixo).
Situação no estado
Em Minas Gerais, quando excluídos os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), os cânceres de próstata e de mama lideram a projeção de novos casos entre 2026 e 2028. Veja abaixo:
Pele não melanoma: 34.890 novos casos
Próstata: 10.290 novos casos
Mama feminina: 8.430 novos casos
Outras localizações: 8.320 novos casos
Cólon e reto: 6.160 novos casos
Traqueia, brônquio e pulmão: 3.580 novos casos
Estômago: 2.470 novos casos
Cavidade oral: 2.190 novos casos
Esôfago: 2.030 novos casos
Glândula tireoide: 1.690 novos casos
Colo do útero: 1.610 novos casos
Bexiga: 1.460 novos casos
Linfoma não Hodgkin: 1.420 novos casos
Sistema nervoso central: 1.350 novos casos
Pâncreas: 1.260 novos casos
Laringe: 1.140 novos casos
Leucemias: 1.130 novos casos
Fígado: 1.070 novos casos
Corpo do útero: 920 novos casos
Ovário: 890 novos casos
Pele melanoma: 760 novos casos
Linfoma de Hodgkin: 330 novos casos
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Panorama do Brasil
Os dados da estimativa de 2026 mostram que o perfil do câncer no Brasil varia de forma significativa entre as regiões — reflexo direto de desigualdades no acesso aos serviços de saúde, às ações de prevenção e às condições de vida da população.
Norte e Nordeste
Nas regiões, seguem em destaque tumores historicamente associados a falhas estruturais de saúde pública.
O câncer do colo do útero aparece como a segunda neoplasia mais incidente entre mulheres nessas regiões, apesar de ser amplamente prevenível por vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e rastreamento adequado.
A vacina está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e também para quem faz uso da PrEP.
Já o câncer de estômago ocupa posições de destaque entre os homens, cenário relacionado a fatores socioeconômicos, infecções e diagnóstico tardio.
Sul e Sudeste
Nessas regiões, por outro lado, predominam cânceres associados ao envelhecimento populacional e ao estilo de vida urbano.
Tumores de mama, próstata, cólon e reto concentram a maior parte dos casos, padrão semelhante ao observado em países de renda alta.
Ainda assim, mesmo nessas regiões, o avanço do câncer colorretal preocupa pela combinação de alta incidência e mortalidade ainda elevada, reflexo da ausência de um programa nacional estruturado de rastreamento.
As diferenças regionais aparecem também nas taxas. Confira os dados sobre o câncer de mama:
Norte: cerca de 33 casos de câncer de mama/100 mil
Sudeste: cerca de 88 casos/100 mil
Sul: cerca de 77 casos/100 mil
O mês de novembro é lembrado como alusão à prevenção do câncer de próstata, tipo de neoplasia mais comum identificada nos homens.
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