De líder nas pesquisas a impasse com partido: entenda o vai e vem de Cleitinho na disputa por MG
04/08/2026
(Foto: Reprodução) Cleitinho volta a pedir para ser candidato ao governo de MG; entenda vaivém
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) protagonizou uma sequência de idas e vindas que marcou a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Cleitinho foi lançado como pré-candidato ao governo de Minas e adiou sucessivamente a decisão sobre a disputa. Depois, faltou à convenção que poderia oficializar seu nome, viu o partido barrar a candidatura, anunciou a desistência e voltou a pedir a vaga um dia depois.
A nova reviravolta aconteceu nesta terça-feira (4), durante convenção nacional do Republicanos, em Brasília. Um dia depois de aparecer chorando em um vídeo no qual dizia que não disputaria o governo mineiro, Cleitinho pediu ao presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, para ser candidato.
O dirigente negou o pedido e afirmou que a fase deliberativa da convenção estava encerrada.
Líder nas pesquisas, Cleitinho não disputará governo de MG, anuncia Republicanos
Veja a cronologia envolvendo candidatura de Cleitinho:
Fevereiro e agosto de 2025:
Antes mesmo de oficializar uma pré-candidatura ao governo de Minas, Cleitinho já aparecia como um dos principais nomes da disputa estadual. Levantamentos divulgados em fevereiro e agosto de 2025 mostravam o senador na liderança das intenções de voto, consolidando-se como favorito em uma possível candidatura ao Executivo mineiro.
Março de 2026: pré-candidatura confirmada
Em 2 de março, o Republicanos confirmou a pré-candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais. Na ocasião, a assessoria do senador também confirmou a pré-candidatura e informou que a decisão final sobre o cargo a ser disputado seria anunciada até abril.
O senador havia sido eleito por Minas Gerais em 2022, com mais de 4,2 milhões de votos. Antes, em 2018, foi eleito deputado estadual.
Abril de 2026: liderança nas pesquisas e candidatura ainda indefinida
Em abril, a pré-candidatura de Cleitinho Azevedo ganhou força nas pesquisas. Levantamento Quaest divulgado pelo g1 em 28 de abril mostrou o senador na liderança em todos os cenários em que aparecia na disputa pelo governo de Minas Gerais, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Apesar do desempenho, a definição sobre a candidatura ainda não estava resolvida. Naquele momento, o cenário eleitoral mineiro seguia em articulação, e a oficialização dos nomes dependia das convenções partidárias.
Julho de 2026: ausência em convenção e impasse no partido
O impasse ganhou força no fim de julho. No dia 25, o Republicanos realizou convenção estadual em Belo Horizonte e lançou candidatos a deputado federal e estadual em Minas Gerais. Havia expectativa sobre a candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo, mas o partido não oficializou nomes para governador, vice-governador nem senador.
Cleitinho Azevedo não compareceu ao evento. Na ocasião, o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, disse que as definições sobre os cargos majoritários seriam feitas em conversas com partidos da coligação e que o momento de luto do senador seria respeitado. O irmão de Cleitinho Azevedo, Matheus Azevedo, morreu em 18 de julho.
28 de julho: PL já trabalhava com desistência
No dia 28, o Blog do Valdo Cruz publicou que o PL já trabalhava com a desistência de Cleitinho Azevedo e poderia apoiar Marcelo Aro (PP) ao governo de Minas Gerais. Segundo a reportagem, o senador havia sinalizado ao partido que não seria candidato.
No mesmo dia, após nova pesquisa Quaest mostrar Cleitinho Azevedo na liderança, o senador publicou nas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial. Na gravação, versões digitais do pai e do irmão dele apareciam dizendo para o parlamentar “ir em frente” e “fazer o que tem que ser feito”.
29 de julho: Republicanos barra candidatura, e Cleitinho diz que vai disputar
No dia seguinte, 29 de julho, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou à GloboNews que Cleitinho Azevedo não disputaria o governo de Minas Gerais. O partido alegou que a ausência do senador na convenção estadual produziu “consequências inevitáveis” e afirmou que faltou uma decisão inequívoca do próprio parlamentar.
Pouco depois, a assessoria de Cleitinho Azevedo contradisse o partido e disse ao g1 que ele seria candidato. À noite, em entrevista coletiva em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, o senador confirmou a intenção de disputar o governo e afirmou que “a voz do povo é a voz de Deus”.
O impasse tinha um complicador jurídico: pela legislação eleitoral, Cleitinho Azevedo não poderia trocar de partido naquele momento para disputar o governo. Como o prazo de filiação partidária para as eleições de 2026 terminou em 4 de abril, uma eventual candidatura teria que ocorrer pelo Republicanos. Pelas regras brasileiras, não há candidatura avulsa.
3 de agosto: anúncio de desistência e pedido de perdão
Na segunda-feira (3), o Republicanos anunciou que Cleitinho Azevedo não disputaria o governo de Minas Gerais por “decisão pessoal”. Em vídeo publicado nas redes sociais, Marcos Pereira afirmou que o senador tomou a decisão espontaneamente, diante do momento difícil que vivia.
Ao lado de Marcos Pereira e de Euclydes Pettersen, Cleitinho Azevedo chorou, pediu perdão e disse que não estava bem. Também afirmou que não adiantava entrar em uma campanha daquele jeito e que precisava cuidar de si e da família.
A decisão mexeu com o cenário eleitoral mineiro. Até então, Cleitinho Azevedo liderava as pesquisas em todos os cenários em que aparecia. Sem ele, a disputa passou a ter um novo arranjo, com outros nomes já confirmados em convenção.
4 de agosto: novo pedido para ser candidato
A indefinição ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (4). Durante convenção do Republicanos, em Brasília, Cleitinho Azevedo voltou a pedir para disputar o governo de Minas Gerais pelo partido.
No discurso, o senador disse que queria ser candidato e pediu a vaga a Marcos Pereira. O presidente nacional do Republicanos, no entanto, negou novamente o pedido, encerrou a fase deliberativa da convenção e afirmou que o senador teve oportunidades para se decidir.
Com isso, o vaivém da candidatura de Cleitinho Azevedo chegou ao ponto mais crítico: depois de ser anunciado como pré-candidato, liderar pesquisas, faltar à convenção estadual, ser barrado pelo partido, confirmar que disputaria, desistir em vídeo e voltar atrás no dia seguinte, o senador segue sem o aval do Republicanos para disputar o governo mineiro.
O "vai ou não vai" de Cleitinho ao governo de MG
Arte/g1
senador Cleitinho (Republicanos-MG).
Ton Molina/Agência Senado